Thread Content
Na conferência anual de 2007 da National Agricultural Contracts Association do Reino Unido (NAAC), foi destacado que os biocombustíveis ocupam uma posição importante. Nesta conferência, um relatório apresentado por Tim Evans causou grande impressão em todos os presentes. Ele falou sobre um “mini-teste” realizado pela empresa RenewableZukunft, da qual ele é o proprietário. Nesse teste, foram utilizados biocombustíveis para verificar quanta distância um carro podia percorrer com cada tipo de biocombustível produzido a partir de culturas energéticas em 1 hectare. O biogás se mostrou, sem dúvida, o vencedor nesse teste. Evans acredita que os combustíveis fósseis serão cada vez mais escassos. Devido à preocupação com a segurança energética (90% da gasolina no Reino Unido é importada), as pessoas começaram a conhecer diversas fontes de energia renovável. Já Evans lembra aos agricultores que é necessário considerar com cuidado quais culturas devem ser produzidas como fonte de energia. Os agricultores britânicos têm grandes oportunidades no que diz respeito ao fornecimento autônomo de energia, mas devem evitar se limitar à produção de matérias-primas para biocombustíveis, voltando assim a ser apenas produtores de mercadorias. Para isso, Evans sugere que os agricultores devem controlar toda a cadeia de valor energética, desde o cultivo das matérias-primas até o fornecimento de energia para a rede nacional de transmissão de alta tensão. Ele também propôs um método simples de teste para avaliar a eficiência das energias renováveis – um pequeno teste, com o objetivo de mostrar quanta distância um carro pode percorrer com o combustível produzido a partir de culturas energéticas em 1 hectare. O biodiesel teve o pior desempenho nos testes; os veículos percorreram apenas 20 mil quilômetros (5.030 milhas) ; Etanol biológico permite que os veículos percorram 30 mil quilômetros por hectare (7.540 milhas por acre) ; O biodiesel sintético (um novo tipo de combustível biológico produzido a partir da gaseificação de biomassa, que pode ser transformado em combustível líquido por meio do processo Fisher-Tropsch) apresenta uma melhoria significativa; os veículos podem percorrer 70 mil quilômetros (13.960 milhas) com ele ; Mas o biogás produzido pela fermentação anaeróbica de culturas agrícolas, lama e resíduos orgânicos – o biogás biológico – permite que os veículos percorram quase 97.000 quilômetros por hectare (24.390 milhas por acre), o que é quase cinco vezes mais do que o biodiesel consegue. Em comparação com os biocombustíveis de segunda geração (como etanol de celulose e biocombustíveis líquidos), o biogás é uma tecnologia madura. Este teste comparativo é muito interessante e também confirma algumas das conclusões obtidas em pesquisas anteriores. No entanto, não basta apenas indicar a “eficiência do uso da terra” pelo combustível. Este teste exige a consideração de muitos outros fatores, como a avaliação das emissões ao longo do ciclo de vida, o custo de produção do combustível, a escala de produção, as instalações de distribuição de combustível e as melhorias nos veículos. Apesar desses problemas, Evans, por vários motivos, continua a defender a ideia de utilizar terras agrícolas para a produção de biogás. Ele pretende utilizar 400 hectares (1 mil acres) de terra cultivável para o plantio de culturas, a fim de abastecer uma usina de biogás em escala agrícola. Os agricultores poderão obter um lucro líquido adicional de 10 mil libras esterlinas, vendendo a eletricidade produzida. Evans afirmou que, além do investimento de 2 milhões de libras, a usina de energia de 1 megawatt exigirá o uso de 1.000 acres de terreno destinado ao cultivo de grama, milho e forragem, a fim de gerar um retorno de capital de 20%. Se houver um maior apoio à energia renovável, elevando o preço de 65 libras por megawatt para 100 libras por megawatt, ainda é possível esperar perspectivas positivas até 2009. O biogás está se desenvolvendo rapidamente no continente europeu; países como a Suécia, a Alemanha e a Áustria o utilizam como combustível para veículos. Quando o biogás for aprimorado e sua qualidade se igualar à do gás natural, ele poderá ser integrado à rede de fornecimento de gás natural. O biogás possui um enorme potencial de desenvolvimento na Europa. As estimativas mais otimistas indicam que, até o ano de 2020, o biogás poderá substituir completamente todo o gás natural importado da Rússia.