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Após o incidente da explosão em Tianjin, uma das principais dúvidas é: por que fábricas químicas perigosas são construídas não muito longe de áreas residenciais? Se for inevitável a construção dessas fábricas, como garantir a segurança? As fábricas nem sempre precisam ficar muito distantes das áreas residenciais. Após o incidente da explosão em Tianjin, uma das principais dúvidas é: por que fábricas químicas perigosas são construídas não muito longe de áreas residenciais? Nesse sentido, é importante esclarecer que, no exterior, nem todas as fábricas químicas perigosas estão localizadas longe de áreas residenciais. Tomando a fábrica do projeto PX como exemplo, segundo relatos da mídia, não existem regras rígidas nem padrões claros internacionalmente quanto à distância mínima que o projeto PX deve manter das cidades. A distância que um determinado projeto deve manter de uma área residencial depende, em grande parte, de condições externas como a distância das cadeias industriais upstream e downstream, a facilidade do transporte e a extensão do território nacional. Em muitos países estrangeiros, grandes fábricas de PX ficam muito próximas de áreas residenciais locais. Os Estados Unidos são o segundo maior produtor mundial de PX. As fábricas estão concentradas nos estados do sul, como Texas e Flórida. Dentro do parque industrial petroquímico de Houston, numa área de 12 milhas quadradas, encontram-se várias grandes fábricas de PX, cuja capacidade total ultrapassa 7 milhões de toneladas por ano. E essa que é a maior base de produção de PX do mundo fica a apenas 1,2 km da cidade mais próxima. Na Holanda, o maior produtor de PX da Europa, as instalações de produção de PX estão concentradas no Parque Químico de Roterdã. Entre elas, a unidade da ExxonMobil, construída em 1998, tem capacidade para produzir 350 mil toneladas de PX por ano; o complexo industrial fica a apenas 300 metros do assentamento residencial mais próximo. A regulamentação e os sistemas são fundamentais para garantir a segurança. Se as fábricas de produtos químicos perigosos não ficam necessariamente longe das áreas residenciais, então uma regulamentação rigorosa e sistemas bem estruturados são a principal garantia de segurança. No Japão, não só existem inspeções de segurança rigorosas para grandes empresas químicas, como também há restrições estritas à localização das fábricas, de acordo com as leis relevantes. O objetivo principal é proteger o meio ambiente e a segurança dos residentes locais. Em 1959, o Japão criou a “Lei de Planejamento de Fábricas”. A última modificação nessa lei foi feita em 2010. A lei visa garantir que a localização das fábricas proteja o meio ambiente, assegurando o desenvolvimento econômico e a segurança da população. A lei estabelece que o Ministro da Economia, Comércio e Indústria deve ouvir previamente a opinião de especialistas e investigar se o layout da fábrica é razoável e como prevenir poluição. Especificamente, ao construir uma fábrica, o Japão **precisa investigar previamente as áreas residenciais da região, coletando dados sobre o terreno, a geologia, outras condições naturais, bem como sobre o abastecimento de água e as condições de transporte. As principais fábricas do setor manufatureiro, de empresas de eletricidade, de gás natural e de aquecimento também serão submetidas a investigações separadas. No Japão, as fábricas que possuem instalações de eliminação de fumaça, instalações de esgoto, instalações geradoras de ruído, instalações geradoras de poeira e instalações geradoras de vibração são chamadas de fábricas específicas. A criação de uma “fábrica específica” ou a construção de novas instalações fabris deve ser **comunicada detalhadamente** às autoridades locais da região. Se for constatado que a construção de uma “fábrica específica” pode causar danos às áreas vizinhas, ou se, de acordo com as leis locais, houver risco de prejudicar o ambiente de vida nas proximidades, é possível interferir na construção da fábrica. Garantir a divulgação e transparência da informação é outro meio fundamental para assegurar a segurança. Em 1974, dois acidentes de segurança ocorreram consecutivamente em Seveso, na Itália, chocando a Europa e, em especial, a Alemanha, que na época tinha a indústria química como seu pilar econômico. Em 1980, a Alemanha promulgou o “Regulamento sobre Acidentes Químicos”, que estabelece em detalhes as obrigações das empresas em termos de gestão da segurança e relatórios de informações. Além disso, há também a obrigação de supervisionar e prevenir outras reações em cadeia. Os cidadãos têm o direito de ser informados prontamente sobre essas questões. Há também uma lista detalhada das substâncias químicas envolvidas. Atualmente, esse regulamento já foi revisado pela 12ª vez. O incidente de Seveso também levou diretamente à promulgação, em 1982, de uma diretiva da Comunidade Europeia relativa aos acidentes graves envolvendo atividades industriais específicas, posteriormente conhecida como “Diretiva Seveso”. De acordo com a diretiva, os Estados-Membros têm a obrigação de garantir que as fábricas que produzem substâncias nocivas mantenham uma certa distância das áreas residenciais, controlando a localização de novas empresas, a reestruturação de empresas existentes e outros planos de desenvolvimento. A terceira versão da “Diretiva Seveso” foi lançada em 2012, trazendo mais atualizações nos requisitos técnicos. Entre elas, a obrigação de as autoridades divulgarem informações aos residentes, o dever de informar as empresas vizinhas sobre os riscos de segurança existentes, a disseminação de medidas de resposta em caso de acidentes, a exigência de que as empresas realizem pelo menos uma avaliação e inspeção de segurança profissional por ano, além da introdução da supervisão pública no planejamento do uso do solo.