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Uma garota, logo após se formar, foi para a França e começou a estudar lá, trabalhando meio período. Aos poucos, ela descobriu que os pontos de venda de bilhetes do sistema de transporte público local eram automáticos: você podia comprar o bilhete para onde quisesse ir, de acordo com o destino desejado. As estações eram quase sempre abertas, sem portões de controle, sem funcionários responsáveis por verificar os bilhetes. Até as inspeções aleatórias eram muito raras. Ela descobriu essa falha na gestão, ou, do jeito que ela pensava, era uma falha. Graças à sua inteligência, ela conseguiu calcular com precisão a probabilidade de ser pega cometendo fraude nos bilhetes: é de aproximadamente três em dez mil. Ela ficou muito orgulhosa dessa descoberta. A partir de então, passou a pegar o trem sem pagar o bilhete com frequência. Ela também encontrou um motivo para se consolar: afinal, ela ainda era uma estudante pobre, então podia economizar o máximo que pudesse. Quatro anos se passaram. O prestígio das universidades de renome e suas excelentes notas acadêmicas deram a ela confiança suficiente para começar a se apresentar em várias empresas multinacionais em Paris, com grande entusiasmo, tentando vender seus serviços. Mas todas essas empresas, no início, demonstravam grande entusiasmo. No entanto, alguns dias depois, todas recusaram o pedido de maneira educada. As falhas repetidas a deixavam furiosa. Ela acredita que, com certeza, essas empresas têm uma tendência à discriminação racial, excluindo estrangeiros. Da última vez, ela entrou correndo no escritório do gerente de recursos humanos de uma empresa, exigindo que ele desse um motivo razoável para não a contratar. No entanto, o final foi algo que ela não esperava. Senhora, não estamos discriminando você. Pelo contrário, valorizamos muito você. Quando você veio se candidatar a uma vaga, ficamos muito interessados em seu histórico educacional e em seu nível acadêmico. Para ser honesto, em termos de capacidade profissional, você é exatamente a pessoa que procurávamos. -Então, por que não contratar pessoas assim para trabalhar na sua empresa? -Porque verificamos seu histórico de crédito e descobrimos que você foi punido três vezes por viajar de ônibus sem pagar a passagem. -Eu não nego isso. Mas, por causa de algo tão insignificante, vocês vão desistir de uma pessoa que já publicou vários artigos em revistas científicas? -Coisas pequenas? Nós não consideramos isso algo insignificante. Notamos que a primeira vez que houve tentativa de fraude foi na primeira semana após você chegar até nós. Os funcionários responsáveis pela verificação acreditaram na sua explicação, já que você disse que ainda não estava familiarizado com o sistema de venda automática de ingressos; por isso, eles simplesmente emitiram um novo ingresso para você. Mas, depois disso, você fugiu do pagamento das passagens mais duas vezes. -Naquele momento, eu não tinha moedas no bolso. -Não, não, senhora. Eu não concordo com essa sua explicação. Você está duvidando do meu QI. Acredito que, antes de serem pegos, você deve ter tentado fugir do pagamento do ingresso centenas de vezes. -Isso também não é motivo suficiente para a morte, certo? Por que ser tão sério? Não dá para corrigir depois? -Não, não, senhora. Isso prova duas coisas: primeiro, você não respeita as regras. Você é bom em encontrar falhas nas regras e usá-las de maneira maliciosa. II. Você não merece confiança. Muitos dos trabalhos da nossa empresa dependem da confiança. Se você for responsável pelo desenvolvimento de mercado em uma determinada região, a empresa lhe concederá muitas atribuições. Para economizar custos, não temos como criar órgãos de fiscalização complexos, assim como acontece com nosso sistema de transporte público. Portanto, não temos como contratá-lo. Pode-se dizer com certeza que, nesse **, você provavelmente não encontrará uma empresa disposta a contratá-lo. Só então é que ela acordou, como se tivesse saído de um sonho, cheia de arrependimentos. No entanto, o que realmente a fez ficar chocada foi a última frase dita pelo outro: a moralidade muitas vezes consegue compensar as deficiências da sabedoria. Porém, a sabedoria nunca consegue preencher os vazios da moralidade. A moralidade é a qualidade mais fundamental de uma pessoa, ou seja, faz parte da sua personalidade. Mesmo as pessoas mais competentes, se tiverem problemas de caráter, perdem a confiança e o apoio dos outros. No ambiente de trabalho, esse tipo de comportamento que leva à perda da dignidade é ainda mais terrível. Agir de maneira a destruir o sistema em troca de pequenos benefícios imediatos é, sem dúvida, algo que acaba com a carreira de uma pessoa. Aviso a todos: no ambiente de trabalho, é preciso contar com habilidades e sinceridade; não se deve perder a integridade, por nada.